{"id":162,"date":"2020-05-02T19:02:16","date_gmt":"2020-05-02T23:02:16","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.smith.edu\/por228-sp20\/?p=162"},"modified":"2020-05-13T11:04:34","modified_gmt":"2020-05-13T15:04:34","slug":"resenhas-dos-filmes-indigenas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.smith.edu\/por228-sp20\/2020\/05\/02\/resenhas-dos-filmes-indigenas\/","title":{"rendered":"Resenhas de Filmes do Projeto V\u00eddeo nas Aldeias"},"content":{"rendered":"<p>Veja os filmes <a href=\"http:\/\/videonasaldeias.org.br\/loja\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Por Sarah Shuler e <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Em Tejada Jaquez<\/span><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center\">As Hiper Mulheres<\/h2>\n<p><b>Ano da produ\u00e7\u00e3o<\/b><span style=\"font-weight: 400\">: 2011<\/span><\/p>\n<p><b>Dura\u00e7\u00e3o<\/b><span style=\"font-weight: 400\">: 80 minutos\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Diretores<\/b><span style=\"font-weight: 400\">: Carlos Fausto, Leonardo Sette<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O document\u00e1rio, <em>As Hiper Mulheres<\/em>, mostra as mulheres do povo Kuikuro do Alto Xingu preparando para realizar o Janurikumalu, o maior ritual feminino no povo. Os ensaios t\u00eam crian\u00e7as e idosas aprendendo as can\u00e7\u00f5es e dan\u00e7as durante alguns dias. As mulheres se apresentam para uma das mulheres mais velhas, que est\u00e1\u00a0 doente, para ver se ela pode cantar mais uma vez. Alguns exemplos das can\u00e7\u00f5es s\u00e3o as can\u00e7\u00f5es Etinkgakugoho e Sogoko.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O document\u00e1rio n\u00e3o tem narra\u00e7\u00e3o e foi dif\u00edcil\u00a0 entender o que estava acontecendo no come\u00e7o. Por causa disso, a audi\u00eancia apropriada para este filme s\u00e3o os povos ind\u00edgenas, porque o document\u00e1rio exige que voc\u00ea tenha conhecimento pr\u00e9vio.\u00a0 Uma qualidade e um defeito \u00e9 que o filme \u00e9 totalmente na l\u00edngua ind\u00edgena. Isso \u00e9 bom porque \u00e9 uma oportunidade para o p\u00fablico ouvir uma l\u00edngua ind\u00edgena e se dar conta de\u00a0 que as tradi\u00e7\u00f5es dos ind\u00edgenas est\u00e3o\u00a0 vivas. Mesmo assim, existe a possibilidade que algumas palavras ou frases n\u00e3o possam ser traduzidas. Um aspecto muito importante, em nossa opini\u00e3o, foi quando os homens copiaram as can\u00e7\u00f5es e dan\u00e7as femininas e as mulheres brigaram com eles numa maneira l\u00fadica. Esse momento mostrou que os povos compartilham as mesmas experi\u00eancias das pessoas que n\u00e3o vivem nas aldeias. Um outro aspecto importante foi quando uma das mulheres usou um gravador para lembrar e praticar as can\u00e7\u00f5es. Foi uma representa\u00e7\u00e3o da vida ind\u00edgena conectando com o mundo n\u00e3o-ind\u00edgena para manter viva a cultura ind\u00edgena do Xingu.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O document\u00e1rio tamb\u00e9m mostra diferen\u00e7as entre <\/span>gera\u00e7\u00f5es <span style=\"font-weight: 400\">e conex\u00f5es entre pessoas de diferentes idades dentro deste povo ind\u00edgena, e especialmente destaca a import\u00e2ncia da oralidade para lembrar e preservar a cultura, neste caso as m\u00fasicas do ritual feminino.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 um bom document\u00e1rio, mas \u00e9 necess\u00e1rio se informar antes de assistir o filme para entender mais sobre os Kuikuro, o papel das mulheres no povo, e o significado do Janurikumalu.\u00a0<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Por Emilia Tamayo e <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Yesenia Villatoro Ramirez\u00a0<\/span><\/p>\n<h3 style=\"text-align: center\"><span style=\"font-weight: 400\"><strong>Pemp<\/strong> (1988) dir. Vincent Carelli<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Embora o filme tenha sido feito h\u00e1 32 anos, os temas de autonomia ind\u00edgena ainda s\u00e3o relevantes agora. Diretor Vincent Carelli visita Par\u00e1, Brasil para documentar a luta dos ind\u00edgenas da etnia Parakat\u00eaj\u00ea no momento em que suas terras estavam sendo privatizadas pela ind\u00fastria brasileira de nozes. Ao mesmo tempo, os Parakat\u00eaj\u00eas est\u00e3o lutando para preservar sua l\u00edngua e sua tradi\u00e7\u00e3o art\u00edstica de dan\u00e7a e m\u00fasica.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O filme \u00e9 muito cru. Mostra muitos dos desafios di\u00e1rios deste povo, por exemplo, o fato de algumas crian\u00e7as n\u00e3o poderem se comunicar com seus pais. Ent\u00e3o, as terras tradicionais dos Parakat\u00eaj\u00eas tamb\u00e9m representam a preserva\u00e7\u00e3o e uma reivindica\u00e7\u00e3o\u00a0 da cultura, ao mesmo tempo que a influ\u00eancia de fora aumenta entre os jovens Parakat\u00eaj\u00eas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Embora Vincent Carelli n\u00e3o seja ind\u00edgena, ele conseguiu apresentar a comunidade de uma maneira na qual as vozes ind\u00edgenas n\u00e3o s\u00e3o silenciadas.\u00a0<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Por Michelle Tsai Gomez e <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Isabel Teixeira<\/span><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center\"><b>Bimi, a mestra de Kenes<\/b><\/h2>\n<p><b>Ano da produ\u00e7\u00e3o<\/b><span style=\"font-weight: 400\">: 2009<\/span><\/p>\n<p><b>Diretor<\/b><span style=\"font-weight: 400\">: Zezinho Yube<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O document\u00e1rio <em>Bimi, a mestra de Kenes<\/em>, mostra a rela\u00e7\u00e3o da protagonista, Bimi, com uma de arte muito importante de seu povo Huni Kuin. Nos poucos minutos do v\u00eddeo, n\u00f3s podemos assistir ela falando de como aprendeu a arte de Kenes de sua m\u00e3e quando ela era mais jovem, como h\u00e1 muitos diferentes desenhos das tecelagens, e como todo o povo chegou a respeit\u00e1-la por sua maestria com a arte e pela arte em si. Em termos da narra\u00e7\u00e3o, o v\u00eddeo somente nos mostra as pessoas do povo falando, uma por vez, sem os documentaristas fazendo perguntas para elas. O v\u00eddeo depois termina com Bimi falando para todos sobre a sua \u00faltima tela que ainda n\u00e3o terminou. O cen\u00e1rio do document\u00e1rio tem estilo muito cru, a audi\u00eancia que est\u00e1 assistindo pode ver que o v\u00eddeo inteiro parece natural, sem for\u00e7ar a participa<\/span>\u00e7\u00e3o<span style=\"font-weight: 400\">das pessoas envolvidas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No document\u00e1rio, um aspecto importante da arte Kenes para o povo Hunikui s\u00e3o as diferen\u00e7as sutis, por\u00e9m significativas, entre os desenhos. Embora o document\u00e1rio seja curto, houve momentos em que o diretor optou por destacar os artistas que escolhem entre desenhos que, para quem est\u00e1 de fora, parecem semelhantes ou iguais. No entanto, para um olhar com experi\u00eancia e um artista capaz, esses desenhos cont\u00eam v\u00e1rias diferen\u00e7as t\u00e9cnicas e art\u00edsticas. O document\u00e1rio \u00e9 curto, o que deixa o p\u00fablico querendo ver e saber mais da arte de Kenes do povo Hunikui.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Por Alexandra Stephens e <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Sasha Zeidenberg<\/span><\/p>\n<h3 style=\"text-align: center\"><strong>Y\u00e3kw\u00e1, O banquete dos esp\u00edritos<\/strong><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\"><strong>Ano<\/strong>: 1995<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\"><strong>Diretor<\/strong>: Virg\u00ednia Valad\u00e3o<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\"><strong>Dura\u00e7\u00e3o<\/strong>: 54 minutos<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">Y\u00e3kw\u00e1, O banquete dos esp\u00edritos <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">foi feito por Virg\u00ednia Valad\u00e3o em 1995, e dura 54 minutos. O filme \u00e9 sobre o maior festival do povo Enaunen\u00ea-nau\u00ea. Ele dura sete meses e tem quatro partes. O filme mostra os rituais tradicionais e tamb\u00e9m explica as hist\u00f3rias de cada parte. O Y\u00e3kwa \u00e9 muito importante para os Enaunen\u00ea-nau\u00ea, e isso \u00e9 muito evidente no filme. O filme tem dois estilos de narra\u00e7\u00e3o: tem narra\u00e7\u00e3o escrita e narradores que contam oralmente as hist\u00f3rias. As imagens do filme s\u00e3o da aldeia e a floresta ao redor. O filme segue o povo quando eles saem da aldeia para fazer seus rituais. O filme \u00e9 uma representa\u00e7\u00e3o \u00e9tica do povo porque as pessoas do povo escolheram como seu povo iria ser tratado. O poder se compartilha entre os cineastas e o povo. Mostra uma perspectiva muito diferente da perspectiva europeia\/americana e ent\u00e3o \u00e9 um pouco dif\u00edcil entender. Se voc\u00ea j\u00e1 estudou perspetivas ind\u00edgenas, ser<\/span>\u00e1 <span style=\"font-weight: 400\">interessante e uma boa fonte de informa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Por Maddie Haines e <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Emily Jaruszewski<\/span><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center\"><strong>Marangmotxingmo Mi\u0308rang, das crianc\u0327as Ikpeng para o mundo<\/strong><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ano de produ\u00e7\u00e3o: 2001<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Dirigido por: KARAN\u00c9 IKPENG, NATUYU YUWIPO TXIC\u00c3O, e KUMAR\u00c9 IKPENG<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">&#8220;Marangmotxingmo M\u00efrang, das crian\u00e7as Ikpeng para o mundo&#8221;, \u00e9 um document<\/span>\u00e1rio <span style=\"font-weight: 400\">sobre a aldeia e vida quotidiana das crian\u00e7as Ikpeng que foi produzido em 2001 por Karan\u00e9 Ikpeng, Natuyu Yuwipo Txic\u00e3o e Kumar\u00e9 Ikpeng. As crian\u00e7as mostram suas fam\u00edlias, suas casas, a casa do cacique e as plantas e animais que vivem perto da aldeia. Falam diretamente com a c\u00e2mera e assim com sua audi\u00eancia numa maneira muito familiar, e frequentemente fazem perguntas sobre as similaridades e diferen\u00e7as entre coisas na sua aldeia e a aldeia da audi\u00eancia. N\u00e3o h\u00e1 narra\u00e7\u00e3o \u201coff\u201d ou de algum adulto.\u00a0 Os meninos s\u00e3o os \u00fanicos que falam e os \u00fanicos que escolhem as coisas inclu\u00eddas\u00a0 no filme. \u00c9 um filme interessante e divertido pela leveza da atitude dos meninos.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O filme \u00e9 leg\u00edvel e acess\u00edvel para algu\u00e9m que n\u00e3o saiba nada sobre o povo porque tudo est\u00e1 ao n\u00edvel dos meninos, e eles explicam claramente o que est\u00e3o fazendo e o que est\u00e1 ao redor deles.\u00a0 O filme \u00e9 uma carta de v\u00eddeo ao mundo fora da aldeia.\u00a0 Os meninos d\u00e3o as boas-vindas para sua audi\u00eancia, apresentando sua vida em uma maneira que inspira todos a quererem aprender mais.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Por Melisa Aguila e <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Amanda Maia<\/span><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center\"><b>As Hiper Mulheres\u00a0<\/b><\/h2>\n<p><b>Director: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Takum\u00e3 Kuikuro \/ Carlos Fausto \/ Leonardo Sette<\/span><\/p>\n<p><b>Ano: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">2011<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O filme <em>As <\/em><em>Hiper Mulheres<\/em> mostra o ritual chamado Jamurikumalu que um homem da aldeia queria recuperar para sua mulher doente, antes que ela morresse. Esse ritual \u00e9 um dos mais importantes na regi\u00e3o do Alto Xingu, no estado do Mato Grosso. Nesse filme, os diretores ficaram bem perto desse povo ind\u00edgena e respeitaram o espa\u00e7o na aldeia. Os ind\u00edgenas s\u00e3o o foco do filme, que mostra a vida plena na aldeia, com o preparo para esse ritual. As mulheres da aldeia s\u00e3o o foco do ritual, e o filme as mostra aprendendo can\u00e7\u00f5es e dan\u00e7ando at\u00e9 se banhando juntas, mulheres de qualquer idade. Achamos a dan\u00e7a uma \u00f3tima atividade que deu a todas a chance de participar e se aproximar. Elas praticaram muito para que o ritual fosse perfeito para a mulher idosa que estava doente. O nome dela era Kanu. O paj\u00e9 da aldeia queria curar ela mais s\u00f3 depois da menstrua\u00e7\u00e3o dela. A dan\u00e7a era um ritual exclusivo para mulheres, que lhe dava espa\u00e7o para liderar, para se divertir e para se apresentar para o povo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Imagem: <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/photo\/?fbid=2084930994855826&amp;set=a.1962142197134707\">V\u00eddeo nas Aldeias &#8211; Facebook<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Veja os filmes aqui &nbsp; Por Sarah Shuler e Em Tejada Jaquez As Hiper Mulheres Ano da produ\u00e7\u00e3o: 2011 Dura\u00e7\u00e3o: 80 minutos\u00a0 Diretores: Carlos Fausto, Leonardo Sette &nbsp; O document\u00e1rio, As Hiper Mulheres, mostra as mulheres do povo Kuikuro do Alto Xingu preparando para realizar o Janurikumalu, o maior ritual feminino no povo. 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